diff options
Diffstat (limited to 'tutoriais')
| -rw-r--r-- | tutoriais/orientacao-a-objetos.md | 88 | ||||
| -rw-r--r-- | tutoriais/posts.csv | 1 |
2 files changed, 89 insertions, 0 deletions
diff --git a/tutoriais/orientacao-a-objetos.md b/tutoriais/orientacao-a-objetos.md new file mode 100644 index 0000000..b5121c0 --- /dev/null +++ b/tutoriais/orientacao-a-objetos.md @@ -0,0 +1,88 @@ +# Eu tenho certeza que você, um sênior, não sabe o que é orientação à objetos + +Sabe esse paradigma que aprendemos na faculdade? Os vários macetes, os +famigerados "Padrões de Projeto", o `sujeito.verbo(objeto)` e merdas assim? +Pois é, tá errado. Pelo menos de acordo com Alan Kay, porque Alan Kay não quis +dizer nada disso. + +O negócio é que existem duas "escolas" de orientação à objetos. Uma que veio do +Alan Kay originalmente, e a outra que veio do Simula e que foi mais ou menos +raptado pelo Bjarne Strousturp, o criador do C++, e que veio a ser base do Java +e outras linguagens ditas "orientadas à objetos". Então aqui vou tentar ensinar +sobre o que o Alan Kay realmente quis dizer com orientação à objetos. + +Antes eu quero que você saiba que o _Alan Kay não quis se focar nos objetos._ +Ele até chegou a pedir desculpas por chamar isso de "Orientação a Objetos" +porque isso confundiu muita gente, porém dá pra explicar a orientação a objetos +com um padrão que você já deve ter usado a bastante tempo. Na verdade, se você +quer um TL;DR disso tudo, você pode resumir o que Alan Kay quis dizer à +"Injeção de Dependência embebido com mijo de Chuck Norris", e até a linguagem +que é realmente "Orientada à Objetos", o Smalltalk, tem seus pontos parecidos +com os da programação funcional. Irei usar um pseudo-código parecido com Java +para demonstrar. + +Vejamos esse código aqui: + + shape.getDimensions().getX() + +Isso seria um código bem comum de ver em orientação a objetos, mas qual é a +interpretação que o Alan Kay teria sobre esse trecho? + +O `shape` é um objeto e, como objeto, ele recebe e responde à mensagens, no +caso, shape recebeu a mensagem `getDimensions` sem parâmetros. `shape` +reconhece essa mensagem e dessa mensagem responde com um outro objeto. Então +enviamos `getX` sem parâmetros, e esse objeto pode ou não responder a essa +mensagem. O Alan Kay estava se focando nesse modelo de envio de mensagens e não +no modelo atual de classes. Inclusive quando Alan Kay falou de hierarquias ele +não tava falando de "extensão" de classes como vemos em Java e sim que uma +classe `Foo` responde as mesmas mensagens da classe `Base`. + +Em outras palavras: **A CLASSE NÃO IMPORTA, O QUE IMPORTA É A INTERFACE!** O +que importa é se o `shape` reconhece `getDimensions`, inclusive tem um nome pra +isso, `Duck Typing`: se anda igual pato e quacka igual um pato, é um pato. A +classe, nessa visão, é só uma forma de construir objetos. + +Isso torna umas coisas um pouco mais interessantes. Vejamos esse trecho +de código. + + + fn foo(thing) { + thing.isTrue(() -> { + doThing(thing) + }) + } + +O que `thing` é? Não sei, só sei que `foo` precisa que `thing` reconheça +`isTrue` com um parâmetro de lambda qualquer coisa que o `doThing` reconheça. +Isso torna o `foo` extremamente reaproveitável e é com essa parte que o Alan +Kay quis dizer com "reaproveitamento de código", e agora você entende o porquê +que muitos javeiros adotaram o padrão de fazer getter e setter pra tudo, porque +isso faz uma função depender de uma interface ao invés de uma implementação e +isso faz a função ficar mais reaproveitável (mas vamos ser sinceros, 99% dos +javeiros nem sabem disso, eles só fazem isso porque disseram que sim pra eles, +e nem mesmo Alan Kay gosta dos getters and setters porque as mensagens eram pra +*mandar* no objeto e não *pedir* ao objeto). + +E perceba que eu usei lambda ao invés de ser algo mais procedural, como +`if`/`else`. Isso é porque a orientação a objetos realmente preza em tornar +todo código o mais reaproveitável possível e, ao usar `if`s, como o Java faria, +você torna o seu código um pouco mais rígido ao depender de uma implementação +de uma boolean. OOP do Alan Kay preza tanto por isso que esse mesmo exemplo +ficaria assim em Smalltalk (pelo menos, "aproximadamente" Smalltalk): + + foo: object [ + object ifTrue: [ + self doThing: object + ] + ] + +Não existe `if`/`else` em Smalltalk. E booleans não são tipos primitivos e sim +objetos. Integer, Strings, tudo é um objeto legítimo, com a sua lista de +mensagens que eles devem responder, e é aqui que a "Injeção de Dependência com +mijo de Chuck Norris" se apresenta. E de certa forma, é como nossos servidores +HTTP funcionam. Você não precisa saber se o servidor é feito em Java, C#, PHP, +feito com Spring Boot, Laravel ou algum outro framework. Você só precisa saber +se o servidor responde por um `POST /foo/bar`. + +Isso é orientação à objetos. O resto é só putaria tirada da bunda do +Strousturp. diff --git a/tutoriais/posts.csv b/tutoriais/posts.csv index ab5541f..8a86ba7 100644 --- a/tutoriais/posts.csv +++ b/tutoriais/posts.csv @@ -1 +1,2 @@ +Eu tenho certeza que você, um sênior, não sabe o que é orientação à objetos|orientacao-a-objetos.html|Mon, 15 Jun 2026 18:20:28 -0300 Como dev, como você dev pensar?|makefiles.html|Mon, 15 Jun 2026 11:59:51 -0300 |
